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Living Tide

Uma marca de fatos de banho sustentável



A Living Tide é uma marca de fatos de banho portuguesa sustentável e, sendo esta uma marca que se preocupa com a mesma temática que o projeto, já foi patrocinadora de uma das limpezas Ecodrop, que realizou na Praia Grande, em Sintra. Contactámos a Andreia, uma das co-criadoras da marca, para nos responder a algumas questões sobre a mesma.



O que é a Living Tide e o que incentivou a criação desta marca?


“A Living Tide é uma marca de fatos de banho sustentável, que tem como objetivo levar as pessoas a comprar com consciência, pensando sempre na opção mais benéfica para o ambiente. A ideia deste projeto surgiu devido à enorme ligação que temos com o mar e com a natureza, uma vez que somos ambas de Sintra. Há dois anos ficámos extremamente surpreendidas com a quantidade de lixo existente não só na costa portuguesa, como também por todo o mundo. A Sara, a outra cocriadora do projeto, está bastante ligada ao mar visto que os filhos são surfistas e, praticando este desporto, estão, também inevitavelmente, ligados à swimwear e eu sempre gostei muito de comprar bikinis e fatos de banho. Acabámos por juntar dois interesses nossos, a sustentabilidade e a moda, e ainda uma grande preocupação mútua, o ambiente. Assim nasceu a Living Tide.”



Sendo a Living Tide uma marca sustentável, quais são os fatores que a elevam a essa categoria?


“Vários fatores. Primeiramente o facto de estarmos associados ao conceito de slow fashion, que vai ao encontro de as pessoas pensarem no excesso de consumismo presente na nossa sociedade, comprando com consciência. Depois, todo o processo de produção dos fatos de banho. Este processo inicia-se através da recolha do lixo dos oceanos: redes de pesca, garrafas de plástico, etc. Esse material é transformado em fios de nylon e poliéster reciclado. Os tecidos chegam de Itália e a confeção é feita por costureiras, num atelier em Lisboa. Para além disso, o cartão é feito de sementes de plantas que o cliente poderá plantar, uma forma de retribuir à natureza e as etiquetas, embalagens e cartões de agradecimento, são ecofriendly. Relativamente ao processo de entregas, ao invés de enviarmos as encomendas assim que elas estão prontas, acumulamos todas para um único dia da semana, de forma a que as emissões de gases sejam reduzidas. Tudo isto torna o processo um pouco mais demorado, mas é importante que as pessoas entendam que só dessa forma é que podemos contribuir de uma forma positiva para o meio ambiente.”



Quais são os maiores desafios que encontram sendo uma marca sustentável?


“A maior queixa que recebemos está associada aos preços dos nossos fatos de banho. Sendo nós uma marca sustentável, é inevitável que os preços dos nossos produtos sejam mais elevados devido a todo o processo a que estão sujeitos. Ao contrário das marcas que estão associadas à fast fashion, que são aquelas à que a maioria dos clientes está acostumada, a nossa marca, como já mencionei anteriormente, pauta-se por um processo que visa ser benéfico para o ambiente, e não o contrário. Assim, toda a recolha de materiais, a transformação, os materiais em si e a mão de obra inteiramente humana, levam a que os preços sejam mais elevados. Desta forma, um dos nossos maiores desafios é fazer com que as pessoas entendam o porquê de os nossos preços serem elevados e o porquê de, sendo clientes da Living Tide, estarem a fazer uma compra consciente e que trará, unicamente, benefícios.”



Numa indústria dominada pela fast-fashion, como é que a Living Tide pensa na apresentação dos seus produtos ao público?


“Baseamo-nos muito na conscientização. Achamos que essa é uma parte essencial para que consigamos fazer chegar a marca aos clientes. No entanto, para além da parte sustentável tentamos também que os nossos fatos de banho se ajustem a todos os tipos de corpos, que sejam confortáveis e que não tenham padrões muito trendy, uma vez que o objetivo é que cada peça dure bastantes anos e não pretendemos que os clientes se vejam obrigados a comprar uma nova, devido àquela que tinham comprado já não se enquadrar nas tendências da altura. Em soma, visto que a nossa abordagem no mercado, neste momento, tem como destino um público alvo feminino entre os 16-40 anos, escolhemos modelos que se identificam com o nosso conceito e que, elas próprias, sejam uma referência, sem criar um estereótipo de beleza tradicional. Para além disso, achamos que um dos fatores que também atrai clientes e confere credibilidade e diferenciação à marca, é o facto de termos parceria com duas fundações ambientalistas: uma internacional e uma nacional. A Oceana é a fundação internacional, tendo sido das primeiras organizações que se dedicou unicamente à preservação e proteção dos oceanos. Assim, no final do ano fiscal, 1% do lucro é doado a esta instituição. Este ano serão lançados dois novos modelos de bikinis dos quais 5% dos lucros serão revertidos para a fundação nacional com a qual temos parceria. Esta instituição, a SPEA, é originária da ilha das Berlengas e tem como objetivo a conservação dos oceanos e de aves em extinção. Assim, ao comprar na Living Tide, o cliente estará a contribuir de forma bastante significativa para um meio ambiente saudável, não só devido à produção a que os nossos produtos estão associados, como às instituições que apoiamos. Por fim, a Living Tide patrocina uma surfista profissional a nível internacional. Estes são alguns dos fatores que diferenciam a marca e a tornam única, o que acaba por ser a forma que utilizamos para a apresentar e fazer chegar ao público.”



A vosso ver, a sustentabilidade poder ser um fator que virá a impedir a compra de determinado produto ou marca?


“Isso é um grande objetivo e sonho nosso que esperamos que a Living Tide ajude a concretizar. No entanto, infelizmente, parece-me ainda um futuro muito longínquo. Há ainda muito trabalho a realizar até que essa se torne uma realidade. Esse trabalho passa pela conscientização e pela educação ambiental. Só aí é que nos poderemos aproximar dessa realidade que, de momento, me parece muito distante.”






Qual o feedback que têm recebido desde o lançamento da marca?


“Só passou um ano, no entanto o feedback que mais nos preenche é aquele que recebemos das pessoas que efetivamente compraram a marca e que utilizam os nossos fatos de banho. Dizem-nos que os fatos de banho são, de facto, muito confortáveis, giros, de muita qualidade e que o dinheiro foi muito bem gasto. Estes são os comentários que nos movem.”



Quais são os planos futuros para a Living Tide?


“O nosso objetivo, quando começámos a Living Tide, não foi ter unicamente bikinis normais, mas também aliarmo-nos à comunidade surfista, principalmente feminina, por duas razões: por acharmos que é uma lacuna no mercado, visto que a maioria dos bikinis disponíveis são muito desconfortáveis para prática do desporto, e também por acharmos que a comunidade surfista é das que se encontra mais sensibilizada para a temática da sustentabilidade. Assim, achámos que seria indicado começar por aí. Neste seguimento, como projetos futuros, um dos nossos principais objetivos, para além de termos a linha de bikinis normal, é focarmo-nos muito no material dos fatos de banho para o surf feminino. No entanto, não pretendemos que esse seja o único foco. Pretendemos também exportar mais, visto que a dimensão de Portugal não é muito grande, mas de forma equilibrada, para que possa haver um equilíbrio económico e sustentável. Também como objetivo futuro, pretendemos alargar a nossa linha e o nosso público alvo, de encontro a toda a família, nomeadamente a homem e criança.”




De que forma é que podemos chegar aos produtos da Living Tide? Onde podemos adquiri-los?


“Em vários locais. Temos uma parceria com a ORG Surfboards, uma marca de pranchas de surf, com a qual vamos lançar em parceria os calções de banho de homem, e na qual os nossos produtos se encontram disponíveis, assim como numa loja na praia das Maçãs, a CAZUÁ. Por fim, temos o nosso Instagram, onde os clientes podem sempre falar connosco por mensagem privada, e o nosso site.”



Em três palavras, como podemos definir a Living Tide?


“Consistência, transparência e originalidade. Consistência na medida em que, quando se começa um negócio, é muito fácil, devido aos vários estímulos que vão aparecendo, sair do nosso caminho. Assim, como marca e negócio, é importante pensar antes de tomar uma decisão para que consigamos ser consistente. Penso que a Living Tide se manteve sempre fiel ao motivo pelo qual começámos.”



Visita o website da Living Tide aqui


Entrevistadora : Joana Diniz

A Livingtide Swimwear



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